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Sholay (1975)

O vilão Gabbar Singh e o policial Thakur

     Sholay é considerado um clássico do cinema indiano e é um dos expoentes mais exemplares do gênero conhecido como "Masala". Um filme "Masala" geralmente apresenta uma mistura variada de gêneros, como ação, comédia, romance, musical e melodrama.
     Sholay também é considerado por alguns um "curry western", em comparação aos "spaghetti western". Realmente, minha primeira impressão do filme foi o de que era, basicamente, um faroeste indiano. Ainda mais por que há sim uma influência clara do western americano e de Sergio Leone no filme. 
     Mas o filme é muito mais. É um exemplo claro de como o cinema indiano consegue sugar referências do cinema de gênero de outros países, assimilando e transformando em algo genuinamente indiano. A história, cheia de pequenos episódios (já que tem 3 horas de duração) é basicamente a seguinte: uma dupla de criminosos é contratada por um ex-chefe de polícia para capturar Gabbar Singh, bandido que matou toda a sua família.
     Dentro dessa moldura narrativa simples, eu poderia falar sobre vários aspectos do filme, mas acho que um deles sintetiza muito bem o porquê do filme ser lembrado até hoje como um dos exemplares mais felizes de "Masala": os personagens e o elenco.
     Veeru e Jai. Basanti e Rhada. Thakur e Gabbar Singh. Esses são os seis personagens principais do filme. É incrível como os seis são muito bem individualizados, seja através da aparência, de suas ações e comportamento ou mesmo suas funções dentro da narrativa do filme (e como todos foram interpretados por atores e atrizes que já eram ou se tornaram estrelas: Dharmendra, Amitabh Bachchan, Hema Malini, Jaya Bhaduri, Sanjeev Kumar e Amjad Khan). E não só eles. Mesmo personagens secundários como Soorma Bhopali, Sambha ou Imaam Saheb são difíceis de esquecer. Sem contar o Diretor do presídio onde Veeru e Jai são presos, ainda na primeira metade do filme, que, apesar de não ter nome, resume uma das principais estratégias criativas do filme.
     Esse diretor possui uma característica muito específica: ele é um imitador de Adolf Hitler. Sim, no meio de um filme indiano influenciado por faroestes e pelos próprios filmes de banditismo característicos da Índia (os conhecidos "dacoit movies"), em um presídio, vemos uma paródia de Adolf Hitler, tentando botar ordem (em vão) em um presídio. 
     O gênero "Masala" não poupa esforços para entreter o público e criar coisas novas e diferentes que o surpreendam. Seja vindo de Sergio Leone, da tradição indiana, dos "dacoits", de referências da Segunda Guerra, de danças e músicas típicas ou de cenas de ação de teor variado. Mas, independente da origem das referências, o gosto do resultado final é sempre genuinamente indiano.
     Para quem não conhece o gênero, esse filme pode ser uma porta de entrada, não por que a mistura, aqui, seja homogênea, mas por que a heterogeneidade dos elementos que compõem o filme exemplificam muito bem o tipo de loucura envolvida na criação de um genuíno "Masala".   
  

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